IntermediárioSemi-agressivo

Acará-Bandeira

Pterophyllum scalare

Acará-Bandeira (Pterophyllum scalare) é um peixe de água doce de nível intermediário. Requer pH entre 6,5 e 7, temperatura de 26 a 28 °C e aquário de no mínimo 150 litros.

Tamanho

15 cm

Aquário mín.

150L

Longevidade

12 anos

Origem

Bacia amazônica (Peru, Colômbia e Brasil — rios Solimões, Amazonas e Ucayali; drenagens do Amapá)

Parâmetros ideais

pH

6.57

Temperatura

26°C — 28°C

GH (dureza)

310 dGH

Não confunda com o acará-disco (Symphysodon) nem com o acará-comum (Geophagus): são espécies diferentes. O "bandeira altum" é a espécie-irmã Pterophyllum altum.

O acará-bandeira (Pterophyllum scalare) é um ciclídeo amazônico de corpo alto e nadadeiras longas, um dos peixes ornamentais mais icônicos do mundo: pede água quente (26–28 °C), levemente ácida a neutra (pH 6,5–7,0) e, sobretudo, um aquário alto — coluna d'água de pelo menos 50 cm para acomodar seu formato.

O que é o acará-bandeira

Também chamado de escalar ou peixe-anjo (angelfish, em inglês), o acará-bandeira é um ciclídeo de silhueta inconfundível: corpo achatado lateralmente, muito alto, com nadadeiras dorsal e anal alongadas em forma de bandeira. Esse formato é uma adaptação para nadar entre a vegetação densa e as raízes submersas de seu habitat. É a principal espécie ornamental produzida por aquicultura no Brasil, o que torna os exemplares de cativeiro resistentes e amplamente disponíveis.

Origem e habitat

É nativo da bacia amazônica — presente no Peru, na Colômbia e no Brasil (rios Solimões, Amazonas e Ucayali), além de drenagens do Amapá e das Guianas. Habita águas lentas, escuras e muito vegetadas — igarapés, margens de rios e florestas alagadas, entre troncos e raízes. É água quente, mole e ácida na natureza, com pouca correnteza.

Características e porte

O acará-bandeira é um peixe alto, não longo: o corpo alcança cerca de 15 cm de comprimento, mas a altura — com as nadadeiras estendidas — chega a 15 a 20 cm. É essa altura, e não o comprimento, que define a exigência de um aquário alto.

Espécies-irmãs (não confundir): o gênero Pterophyllum tem três espécies. A desta ficha, P. scalare, é a comum do aquarismo e tem o contorno da testa levemente entalhado. O P. altum (do rio Orinoco, não do Amazonas) é maior, mais alto, tem o entalhe na testa bem pronunciado e exige água mais mole e ácida — no Brasil aparece como "bandeira altum" ou "Santa Isabel". O P. leopoldi é o menor, com o contorno da testa reto (sem entalhe).

Dimorfismo sexual: notoriamente difícil. Fora da época de reprodução, machos e fêmeas são praticamente idênticos. O único sinal confiável é a papila genital, visível apenas na desova — pontuda e fina no macho, mais larga e arredondada na fêmea. Na prática, sexar o acará-bandeira olhando só a forma do corpo não funciona; o comportamento de formação de casal é mais revelador.

Variedades

A forma selvagem é prateada com quatro barras verticais escuras. A seleção em cativeiro criou muitas variedades de cor e nadadeira, todas a mesma espécie:

  • Prateado (wild): o padrão original, prateado com barras.
  • Marmorato (marble): mesclado de preto e prateado; quando o tom é acinzentado, chama-se fumaça.
  • Ouro e Koi: o ouro é dourado uniforme; o koi tem manchas alaranjadas/avermelhadas, com frequência uma mancha intensa no topo da cabeça.
  • Platinum: branco-prateado metálico.
  • Véu (veil): nadadeiras extralongas e fluidas — a caudal pode passar de duas vezes o corpo.
  • Zebra e Philippine Blue: zebra tem barras extras; o philippine blue puxa reflexos azulados.

Parâmetros da água e aquário

Na natureza é peixe de água quente, mole e levemente ácida; os exemplares de cativeiro (a maioria no Brasil) toleram bem uma faixa mais ampla.

Parâmetros (ideal · tolerável):

  • Temperatura: 26–28 °C · tolerável 24–30 °C
  • pH: 6,5–7,0 · tolerável 6,0–7,5
  • GH (dureza): 3–10 dGH (mole a moderada)

Aquário: mínimo de ~150 L, mas o número que mais importa é a altura da coluna d'água: pelo menos 50 cm, por causa do corpo alto (200 L ou mais é o ideal). Aquário alto, plantado e com raízes/troncos que reproduzam o habitat. Social: compre jovens em cardume (6 ou mais) — à medida que amadurecem, formam casais e o cardume se dissolve em pares que passam a defender território.

Alimentação

Onívoro com tendência carnívora (nível trófico ~3,6) — na natureza é um micropredador que caça pequenos invertebrados do fundo e da coluna d'água. Em cativeiro aceita bem ração de qualidade, mas ganha muito com alimentos congelados e vivos (artêmia, larva de mosquito, dáfnia). Ofereça 1 a 2 vezes ao dia. Lembre-se de que ele come peixes pequenos que caibam na boca.

Comportamento e companheiros

É semi-agressivo e fica claramente territorial na época de reprodução, quando o casal defende a área. Fora disso é relativamente tranquilo, mas com dois cuidados decisivos: ele preda peixes pequenos (o tetra-neon é o exemplo clássico do que não colocar junto) e suas nadadeiras longas são vulneráveis a fin-nipping (mordidas de peixes beliscadores, como alguns barbos).

Compatível: corydoras e outros peixes de fundo pacíficos, que ocupam outra faixa do aquário; tetras maiores e rápidos (grandes demais para virar presa) e cardumes de meia-água de porte médio.

Compatível com ressalva:

  • Acará-disco — companheiro clássico (compartilham água quente e mole), mas o disco é lento para comer e mais sensível; a ressalva é a competição por alimento.
  • Acará-comum (Geophagus) — mais robusto e territorial; só em aquário grande.

Evitar:

  • Peixe-betta — dois de nadadeira longa: o betta belisca o bandeira e há conflito territorial.
  • Peixe-oscar — cresce muito e é predador; acaba engolindo ou dominando o bandeira.

Incompatível: peixes pequenos como tetra-neon e guppy (viram presa), e o kinguio (água fria, incompatível com a faixa quente do bandeira).

Reprodução

Ovíparo, o acará-bandeira desova em superfície vertical — uma folha larga, uma placa de ardósia ou o próprio vidro do aquário, que o casal limpa cuidadosamente antes. Forma casais monogâmicos com cuidado biparental: os dois abanam os ovos com as nadadeiras, removem os inférteis e, após a eclosão, transferem e defendem os alevinos.

O casal se forma naturalmente a partir de um grupo de juvenis criados juntos — daí a recomendação de comprar 6 ou mais. Uma desova produz da ordem de centenas de ovos. É na reprodução que a agressividade territorial atinge o pico.

Saúde e doenças

Peixe resistente quando bem mantido; quase toda doença tem raiz em manejo e qualidade de água. TPAs regulares, dieta variada e quarentena de peixes novos são a melhor prevenção.

  • Íctio / pontos brancos: pontos brancos pelo corpo e nadadeiras; parasitário, tratável.
  • Buraco na cabeça (HLLE): cavidades na cabeça e face, ligadas a dieta pobre e água de má qualidade.
  • Hexamitíase / espironucleose: protozoário intestinal comum em ciclídeos, com fezes esbranquiçadas e emagrecimento; exige tratamento específico.
  • Podridão de nadadeira: bacteriana, agravada pelas nadadeiras longas em água de má qualidade; TPA + antibacteriano.

Comportamento

Dieta

Onívoro

Dificuldade de alimentação

Média

Agressivo com a mesma espécie

Sim

Come corais?

Não

Come invertebrados?

Sim

Posição no tanque

Meio

Dimorfismo sexual

♂ Macho

Papila genital pontuda e fina, visível apenas durante a desova. Fora disso, indistinguível da fêmea.

♀ Fêmea

Papila genital mais larga e arredondada, visível apenas na desova. Fora disso, indistinguível do macho.

Dimorfismo notoriamente difícil: fora da reprodução, machos e fêmeas são praticamente idênticos. Sexar pela forma do corpo não é confiável — o comportamento de formação de casal é mais revelador.

Compatibilidade

Incompatível

  • Neon TetraPredado: o acará-bandeira adulto come o tetra-neon (par clássico a evitar).
  • GuppyPequeno demais (predado) e prefere água mais dura: descasa de parâmetro.
  • KinguioConflito de temperatura: o kinguio é de água fria (18–22 °C) e o bandeira é amazônico quente (26–28 °C).

Perguntas frequentes

Qual o tamanho do aquário para o acará-bandeira?

O mínimo é cerca de 150 litros, mas o mais importante é a altura: a coluna d'água deve ter pelo menos 50 cm, porque o bandeira é um peixe alto. O ideal é 200 litros ou mais, alto e plantado.

Acará-bandeira pode viver com tetra-neon?

Não. É um par clássico a evitar: o bandeira adulto preda peixes pequenos, e o tetra-neon cabe na boca dele. O mesmo vale para guppies e outros peixinhos.

Quantos acarás-bandeira devo comprar juntos?

Compre jovens em cardume de 6 ou mais. À medida que amadurecem, formam casais e o cardume se dissolve em pares — que passam a defender território. Comprar poucos aumenta a chance de agressão entre eles.

Como saber se o acará-bandeira é macho ou fêmea?

É notoriamente difícil. Fora da reprodução, machos e fêmeas são praticamente idênticos. O único sinal confiável é a papila genital, visível só na desova: pontuda no macho, mais larga na fêmea. A forma do corpo não indica o sexo.

Qual a diferença entre o bandeira comum e o bandeira altum?

São espécies diferentes. O comum (Pterophyllum scalare) é a espécie de aquarismo, resistente e produzida por aquicultura. O altum (Pterophyllum altum) vem do rio Orinoco, é maior e mais alto, tem o entalhe da testa pronunciado e exige água mais mole e ácida — é mais difícil de manter.

Quanto custa um acará-bandeira?

As variedades comuns (prateado, marmorato, koi, véu) custam cerca de R$ 45 a R$ 60 no Brasil (referência 2025–2026). Exemplares altum ou 'Santa Isabel' são bem mais caros, na faixa de R$ 170 a R$ 190.

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Fontes e referências

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