IntermediárioSemi-agressivo

Acará

Geophagus brasiliensis

Acará (Geophagus brasiliensis) é um peixe de água doce de nível intermediário. Requer pH entre 6,5 e 7,5, temperatura de 24 a 28 °C e aquário de no mínimo 200 litros.

Tamanho

25 cm

Aquário mín.

200L

Longevidade

15 anos

Origem

Leste e sul do Brasil + Uruguai (bacias do rio Doce e do rio Paraíba do Sul)

Parâmetros ideais

pH

6.57.5

Temperatura

24°C — 28°C

GH (dureza)

512 dGH

Acará é um nome popular usado para vários ciclídeos diferentes. Esta ficha é do acará-comum (Geophagus brasiliensis), o cará nativo brasileiro. Procurava outro? Veja o acará-disco (Symphysodon aequifasciatus) ou o acará-bandeira (Pterophyllum scalare).

O acará-comum (Geophagus brasiliensis) é um ciclídeo nativo brasileiro de porte médio (~20 cm), semi-agressivo e territorial, indicado para aquaristas intermediários: pH entre 6,5 e 7,5, temperatura de 24–28 °C e, no mínimo, 200 litros com substrato de areia fina — que ele peneira na boca à procura de alimento.

O que é o acará

O acará, também chamado de cará, acará-topete ou papa-terra, é um dos ciclídeos nativos mais conhecidos e resistentes do Brasil. Pertence ao gênero Geophagus (literalmente "come-terra"), um grupo de peixes que peneira o substrato na boca em busca de alimento — o comportamento de eartheater que os caracteriza. É um peixe robusto, longevo e de grande personalidade, o que o torna um clássico do aquarismo nacional.

Vale um alerta taxonômico: Geophagus brasiliensis é tratado em sentido amplo (sensu lato) — estudos recentes sugerem que pode representar um complexo de espécies ainda em revisão. Para o aquarista, o que importa é que todos compartilham a mesma biologia e cuidados descritos aqui.

Origem e habitat

É uma espécie nativa do Brasil, presente nas drenagens costeiras do leste e sul do país e no Uruguai — com destaque para as bacias do rio Doce e do rio Paraíba do Sul. Habita rios de correnteza lenta, lagoas e lagunas costeiras, e algumas populações toleram até um leve teor de sal (herança dos ambientes de laguna litorânea).

Por ser um peixe de clima subtropical a tropical, o acará é notavelmente tolerante a variações de temperatura — na natureza enfrenta desde águas frias de inverno no Sul até calor no Sudeste. Essa rusticidade é o que faz dele uma espécie tão adaptável em cativeiro.

Características e porte

O acará tem corpo alto e comprimido, coloração acinzentada a esverdeada salpicada de pontos brilhantes (as "pérolas" que lhe rendem o nome pearl cichlid em inglês), com reflexos que se intensificam na maturidade. Atinge cerca de 20 cm no aquário (raramente ultrapassando isso), mas machos grandes chegam a 25 cm e o máximo registrado para a espécie é de ~28 cm.

Dimorfismo sexual: sutil fora da maturidade. Os machos crescem maiores e desenvolvem uma protuberância nucal (o "topete" que dá origem ao nome acará-topete) sobre a cabeça, mais pronunciada nos dominantes. As fêmeas são menores e têm o topete ausente ou discreto. Em juvenis, a distinção é praticamente impossível.

Parâmetros da água e aquário

A grande vantagem do acará é a adaptabilidade: ao contrário do disco, ele não exige água mole e ácida. Tolera de água mole e levemente ácida a água dura e alcalina, o que facilita muito a manutenção na maioria das cidades brasileiras.

Parâmetros (ideal · tolerável):

  • pH: 6,5–7,5 · tolerável 6,0–8,0
  • Temperatura: 24–28 °C · tolerável 18–30 °C
  • GH (dureza): 5–12 dGH · tolera de mole a dura

Aquário: mínimo de 200 litros para um indivíduo ou casal; para aquário comunitário, considere 300 litros ou mais. O substrato de areia fina é obrigatório — o acará peneira o fundo na boca constantemente, e cascalho grosso pode ferir suas brânquias e impedir esse comportamento natural. Complemente com rochas, raízes e esconderijos que ajudam a definir territórios e reduzir a agressão.

Alimentação

O acará é onívoro (nível trófico ~2,6), com leve tendência vegetal. Na natureza, peneira o substrato à procura de matéria vegetal, pequenos invertebrados, larvas e detritos — e é oportunista, capaz de engolir alevinos e beliscar escamas de peixes menores.

Em cativeiro, ofereça uma base de ração de ciclídeo afundante (ele se alimenta no fundo), reforçada com componente vegetal (spirulina, vegetais escaldados) e congelados ocasionais (larva de mosquito, artêmia, dáfnia). Alimente 1 a 2 vezes ao dia, apenas o que ele consome em poucos minutos.

Comportamento e companheiros

O acará é semi-agressivo e territorial, sobretudo na época de reprodução, quando defende ativamente sua área e pode agredir peixes até maiores que ele. Fora da reprodução, é mais comedido — mas sempre oportunista com peixes que caibam na boca.

Compatível: outros ciclídeos americanos robustos de porte semelhante, cascudos/plecos grandes e cardumes de peixes maiores e rápidos de meia-água que ocupem outra faixa do aquário. Em tanque grande e bem estruturado, a convivência costuma ser tranquila.

Compatível com ressalva:

  • Acará-disco — o disco exige água quente, mole e um ambiente calmo; o acará é robusto e territorial demais, e tende a estressar o disco. Só em cenários muito específicos e amplos.
  • Acará-bandeira — ciclídeo mais frágil, de nadadeiras longas; só em aquário grande e com monitoramento da agressão.
  • Peixe-oscar e outros ciclídeos grandes — dois territoriais de porte podem coexistir em aquários realmente grandes (300 L+), mas há risco de disputa; monitorar.
  • Corydoras — ambos são peixes de fundo; o acará escava e disputa território no substrato, então só com corydoras de porte médio e espaço sobrando.

Incompatível: peixes pequenos como tetra-neon, guppy e betta — viram presa ou alvo do acará. Não é maldade, é predação natural de um ciclídeo que come o que couber na boca.

Reprodução

O acará é ovíparo e desova em substrato, com cuidado biparental — os dois pais defendem os ovos e os alevinos. É importante notar que, ao contrário de vários outros Geophagus, o acará-comum não é incubador bucal: ele fixa os ovos sobre uma superfície plana e limpa (rocha, raiz ou o próprio fundo) e ambos guardam a desova.

A maturidade sexual chega por volta de 1 ano nos machos e 1,5 ano nas fêmeas. Uma desova produz da ordem de centenas de ovos, e o casal costuma se mostrar excelente pai — transferindo os alevinos entre covas e defendendo-os com vigor. É justamente nessa fase que a agressão territorial atinge o pico.

Saúde e doenças

O acará é um peixe rústico, e quase toda doença tem a mesma raiz: manejo e qualidade de água. Prevenção — TPAs regulares, dieta variada e quarentena de peixes novos — vale mais que qualquer tratamento.

  • Íctio / pontos brancos: pontos brancos como grãos de sal pelo corpo e nadadeiras; parasitário, tratável com produto específico.
  • Vermes de pele (flukes): parasitas que causam irritação e produção excessiva de muco; exigem tratamento antiparasitário.
  • Buraco na cabeça (HLLE / hole-in-the-head): cavidades e erosões na cabeça e face, típicas de ciclídeos. A causa é o manejo: dieta pobre e pouco variada, TPAs insuficientes e excesso de filtragem química. Corrige-se melhorando dieta e qualidade de água.

Comportamento

Dieta

Onívoro

Dificuldade de alimentação

Baixa

Agressivo com a mesma espécie

Sim

Come corais?

Não

Come invertebrados?

Sim

Posição no tanque

Fundo

Dimorfismo sexual

♂ Macho

Cresce maior e desenvolve uma protuberância nucal (o "topete" que dá origem ao nome acará-topete) sobre a cabeça, mais pronunciada nos exemplares dominantes.

♀ Fêmea

Menor que o macho, com o topete nucal ausente ou apenas discreto.

Dimorfismo sutil fora da maturidade — em juvenis a distinção entre macho e fêmea é praticamente impossível.

Compatibilidade

Incompatível

  • Neon TetraPorte pequeno demais: o tetra-neon vira presa do acará, que é oportunista e engole o que couber na boca.
  • GuppyPequeno e de nadadeira longa: predado ou beliscado pelo acará territorial.
  • Peixe BettaLento e de nadadeira longa: alvo fácil da agressão territorial do acará.

Perguntas frequentes

Acará e cará são o mesmo peixe?

Sim. "Acará" e "cará" são nomes populares do Geophagus brasiliensis, o ciclídeo nativo brasileiro desta ficha. Só cuidado: "acará" também é usado de forma genérica para outros ciclídeos, como o acará-disco e o acará-bandeira, que são espécies diferentes.

O acará precisa de água mole e ácida como o disco?

Não. Essa é uma das grandes vantagens do acará: ele é adaptável e tolera de água mole e levemente ácida a água dura e alcalina (pH 6,0–8,0). Não é exigente quanto aos parâmetros, o que facilita muito a manutenção.

Qual o tamanho de aquário para um acará?

No mínimo 200 litros para um indivíduo ou casal, e 300 litros ou mais para aquário comunitário. O substrato deve ser de areia fina, porque o acará peneira o fundo na boca constantemente.

O acará é agressivo?

É semi-agressivo e territorial, especialmente na época de reprodução, quando defende sua área e pode agredir peixes maiores. Fora da reprodução é mais calmo, mas sempre oportunista com peixes pequenos que caibam na boca.

O acará é incubador bucal como outros Geophagus?

Não. O acará-comum desova em substrato (rocha, raiz ou o fundo) e tem cuidado biparental — os dois pais guardam ovos e alevinos. Ele não carrega os ovos na boca, ao contrário de vários outros peixes do gênero Geophagus.

Quanto custa um acará?

Um acará jovem costuma sair por cerca de R$ 45 a R$ 70 (referência do mercado brasileiro, 2025–2026); exemplares maiores custam mais. O maior custo, porém, está no setup adequado — aquário de 200 litros ou mais, com areia fina e boa filtragem.

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Fontes e referências

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